- Não há época mais antiga que a nossa. E repito: somos os contemporâneos mais saudosistas que jamais existiram nesse mundo.
- Toda curiosidade é mórbida.
- O que nos discerne dos animais não é a inteligência, mas sim a incoerência
- A sinceridade é, de fato, a pior das virtudes.
- O dinheiro corrompe tudo, até mesmo um santo encerrado em seu oratório.
- Não acredito na mulher que se altera. Aquela que pinta o cabelo já se dilacera para a eternidade.
- No Brasil todo ensaísta é um criminoso, um marginal da pior espécie. Aqui o intelectual é caçado como um boi ladrão e tem seus colhões arrancados em praça pública.
- Toda atitude consciente de um ser humano tem a sua lógica, sua razão de acontecer. Por mais que tal ato nos fira a consciência, nos ultrapasse o limite da compreensão.
- A matemática é uma ciência burra.
- Não creio no domínio chinês, e argumento – eles não resistirão por muito tempo aos apelos humanitários que hão de flagelar o método chinês de trabalho (...) à medida que a China vai avançar para o mundo, o mundo vai avançar para a China.
- Vivemos nós, brasileiros, num país onde reina o eterno provisório, em que tudo é para agora e nada é para sempre.
- O carnaval é a mais honesta das festas. Não existe neste festejo o cinismo do Natal, a falsa sensação do Reveillon.
- Hoje para um artista sobreviver com sua arte, precisa negar-se a si próprio, ser aquilo que a mídia demanda. O artista bem sucedido no Brasil é o anti-artista.
- O racismo no Brasil existe com toda a força que jamais se pode imaginar. Aqui ainda há um agravante fatal: a hipocrisia. O racismo americano é melhor que o nosso.
- O palavrão possui toda uma função fisiológica, onde expurgamos todo o amargor, a ira dos dias afins.
- Com o advento das comunidades virtuais, o brasileiro sentiu-se um Moisés pronto e já seco diante de Michelangelo no crucial e histórico momento em que o gênio disse: “Parla”.
- O cristianismo de hoje em nada tem a ver com Jesus Cristo. Tornou-se um grande negócio.
PARA OS OLHOS VICIADOS EM IMAGENS.
PARA OS DEDOS QUE ORQUESTRAM TECLADOS.
O QUE VOCÊ NÃO LÊ NAS MANCHETES ESTARÁ AQUI.
PARA O TERROR DOS IDIOTAS DA OBJETIVIDADE.
22 de agosto de 2008
FRASES
25 de janeiro de 2008
ANTIQUÁRIOS DIGITAIS
Não há época mais antiga que a nossa. E repito: somos os contemporâneos mais saudosistas que jamais existiram nesse mundo. Sei que muitos hão de objetar: mas e os avanços tecnológicos e a era dos pc’s, da Internet? Ora vejam, estamos em plena revolução digital dos meios de comunicação e, assim mesmo, vivemos uma nostalgia faraônica. Hoje se cultiva o obsoleto, o retrógado.
Outro dia, voltando para casa de trem, observei um grupo de adolescentes que encaminhavam para alguma festa. Eu os observava de longe com uma curiosidade mórbida (toda curiosidade é mórbida). Mas eis que os jovens se trajavam semelhantes a um Elvis, e outros possuíam cabelos repuxados para o centro da cabeça e erguidos, tal como é a estética punk. O leitor já me entendeu, com efeito. Não havia naqueles jovens uma mísera, escassa aparência de século XXI. Se algum indivíduo tivesse dormido em 1965 e só acordasse agora, em 2008, ali naquele trem, e presenciasse aquelas criaturas, decerto afirmaria: cochilei por meros 15 minutos.
A moda comumente chamada de retrô vem ocupando as vitrines, as grifes famosas, os corpos de Gisele Bündchen. Às vezes me sinto alardeando o óbvio. Paciência. Mas o fato é que a busca por esse passado, essa estética de décadas anteriores a nós mesmos é a demonstração evidente de que não possuímos ídolos em nosso tempo. E um povo sem ídolos é um povo sem cara, um narciso sem espelho. Falei outro dia aqui mesmo nesse espaço virtual que o último grande ideal do brasileiro foi a luta pela Diretas Já. Depois disso, tudo que ocorreu foi intranscendente, efêmero. Tancredo foi o último grande homem popular e temos na perspectiva daquela época uma distancia abismal, um atlântico espaço de tempo de vinte e poucos anos.
Os avanços nas comunicações, na tecnologia em geral, têm gerado um esvaziamento humano. Hoje somos 6 bilhões de universos diferentes convivendo no mesmo planeta, devastando-o para a eternidade com vistas para a nossa conveniência, nossa zona de conforto. O sexo virtual é a mais comum e atual forma de relação. Com o advento das doenças venéreas e fatais, somos abdicados ao ato sublime realizado intermediado por máquinas e cabos de fibra ótica.
Outro dia li sobre uma nova tecnologia que surge com vistas para a substituição do DVD. Vejam, meus caros, que há tantas e tantos que nunca tiveram contato com o fascinante mundo do DVD, e quando os tiver já será algo obsoleto, ultrapassado. No artigo falaram na tecnologia Blu-ray que virá para colocar no bolso do colarinho tudo que existe hoje em referência à imagem e som. Essa será a ultima velha novidade. Quase ao mesmo tempo, também tive acesso a um movimento de músicos que apregoam a volta dos discos de vinil. Isso mesmo, a radiola egípcia da vovó voltará à ativa. Presenciaremos verdadeiros antiquários digitais, com aqueles proprietários empoeirados até os olhos.
Não há a mínima coerência (afinal não se pode esperar do ser humano a coerência). A cada novo avanço tecnológico, agimos como náufragos do Titanic em busca de um apoio pretérito. O que isso me sugere é um desespero voraz, um grito de socorro. O homem está se esquecendo do homem. Os robôs serão a nossa mais dramática redenção.
20 de janeiro de 2008
O OLHO VAZADO
Dita a nossa crassa e ignara consciência coletiva, que ter filhos é uma dádiva, um ato transcendental. Imagino que colocar mais um ser humano nesse mundo é de uma irresponsabilidade torpe. Sobretudo mais um brasileiro para viver nesse país de tantas injustiças e tamanhas indignidades. Amigos não se espantem. Não quero apregoar um controle de natalidade maciço, pânico. Vejo apenas que a raça humana vem se auto digladiando desde priscas eras. O nosso grande e inequívoco mal é a nossa incoerência. Repito: o que nos discerne dos animais não é a inteligência, mas sim a incoerência parva das nossas atitudes, das mais elementares às mais sofisticadas.
Perdoem-me se me perco em palavras agressivas. Creio que em detrimento ao que eu pretendo realmente falar. Diariamente, quando volto do trabalho, passo em frente a um albergue, onde homens se enfileiram, com efeito, para tomarem a refeição da noite e também dormirem em algum lugar menos pétreo, menos árido que as calçadas. O dia todo, esses homens se arremessam no batente e ficam ali solicitando a caridade alheia. Eis onde eu pretendo chegar: a caridade é um cruel dessonho. Já explico.
A maioria absoluta dos mendigos e pedintes que se aboletam pelas calçadas do nosso passeio público, estão ali por uma insofismável opção de vida. Há poucos, pouquíssimos, que vivem nessa situação por serem vítimas da segregação social ou da incapacidade física e mental de procurarem um trabalho minimamente digno.
Certa época da minha vida, eu assinava uma coluna de crônicas em O Pergaminho, um jornal semanal, naquela época, de Formiga, minha terra natal. Eis que o meu debut naquele pasquim foi com um texto onde eu fazia uma crítica sobre a questão do mendigo no Brasil e, mais especificamente, em Formiga. O título da crônica era “A mendiga da Fonte”, numa alusão a uma senhora que se sentava no batente de uma loja chamada “A Fonte” – se não me trai a memória. Ela era uma criatura apiedada, que nos tocava, de fato, a alma. Ela possuía um dos olhos vazados, os braços roliços e o cabelo sempre com um aspecto sujo. Mas, proferiam as ácidas línguas interioranas, que ela tinha uma saúde de vaca premiada. Seus aspectos físicos – e mentais – estavam em pleno gozo. A mulher estava ali, jogada ao batente, por causa do olho vazado, o qual lhe dava uma aparência realmente terrível, horrenda, indecorosa.
Vejam, meus caros, que não estou fazendo juízo de valor. Não conhecia proximamente aquela mulher para saber dos seus reais motivos por estar ali. E na crônica que eu publiquei, em O Pergaminho, não fiz nenhuma escassa menção cruelmente direta a ela. Apenas a utilizei como metáfora para falar exatamente isso que venho lhes mostrando nesta outra crônica. Mas eis que uma parenta dela, de posse de um exemplar do jornal, invadiu a redação a minha procura e foi ter com o diretor do jornal. Eu não trabalhava no jornal, apenas colaborava. A dona quis saber quem era eu e queria tomar satisfações. Ora, acho que não disfarcei o suficiente a metáfora. Faço o mea culpa. Fato é que o diretor do jornal ficou em uma situação constrangedora.
Não sei de que forma ele se saiu daquela situação, mas o fato é que ele veio me falar “Cuidado, cuidado”. Ora vejam a vida do cronista no nosso país. Se quisermos nos aliar a um órgão de imprensa, temos que nos esconder como um Bin Laden, preferencialmente com um pseudônimo, para explanar o que pensamos. A sinceridade é, de fato, a pior das virtudes.
11 de janeiro de 2008
LADRÕES BENFEITORES
Como é difícil explicar o que ocorre quando resolvemos viver aquilo que nos foi traçado desde encarnações anteriores a nós mesmos. Vejam que tenho a convicção absoluta que nasci para trabalhar com palavras, arquitetar frases, moldar textos, construir sonhos revestidos de alocuções. Eis que nascido com tal missão nessa vida, me vi afastar-me do meu destino transcendental. Por motivos alheios aos meus mais inconfessáveis desejos, tive meu caminho traçado pela abjeta necessidade de dinheiro. Assim sendo, fui vítima de mim mesmo e perdi o foco do objetivo que me sustenta vivo nessa Terra.
Sim, o dinheiro. Como disse Caetano: “a força da grana que é e destrói coisas belas”. O dinheiro é lidado como o objetivo final, a razão de nossas mal amadas vidas. E quem vive e se escraviza pelo dinheiro é de uma aspereza de palha de aço. O dinheiro corrompe tudo, até mesmo um santo encerrado em seu caritó. O dinheiro que sustenta a arte e, ao mesmo tempo, a torna a negação da própria arte, a ex-arte. A lógica capitalista me é exaurante, inóspita. Não consigo enxergar o mundo sob essa ótica simplista comercial.
Todavia, o aspecto mais angustiante e tenebroso de tudo isso é que não posso vislumbrar outro caminho para a vida, que não me deixar prender em senzalas para sobreviver. Sei que divago em utopias, me perco em argumentações líricas para algo tão robustamente objetivo como o capitalismo. Mas eu me aproximo do meu objetivo nesse texto.
Hoje gostaria de falar sobre as benfeitorias que o destino trata de arquitetar. Por caminhos tortuosos, incompreensíveis a nós, pobres encarnados, os ladrões das obras de arte do MASP foram responsáveis por uma boa ação indiretamente. Nunca, desde a sua fundação, o Museu de Arte de São Paulo ocupou tanto a mídia que, no seu sensacionalismo atávico, quis ressaltar um crime. Mas esse ato, de crime puro e genuíno, teve muito pouco. Repito, esse foi o melhor crime que já ocorreu no Brasil.
2 de dezembro de 2007
REFLEXÕES SOBRE A BELEZA.
O desenvolvimento cultural de um país pode se medir pelo número de sebos. Não consigo citar nada que seja mais importante para um povo que um sebo. Nem hospitais, escolas, polícia, nada supera esses estabelecimentos geralmente mal iluminados, empoeirados e idiossincráticos aos seus donos. Conheci outro dia o dono de um sebo. Tinha a cultura livresca estampada nas olheiras profundas. Sua roupa cheirava a baratas naftalinadas e a poeira se acumulava em seus ombros e se impregnava nos olhos. Foi no sebo desse senhor que encontrei uma obra longe de ser uma raridade, mas que me espantava pelo título: “A Ditadura da Beleza”. O autor é Augusto Cury, um conhecido escritor de livros de auto-ajuda. Não li o livro, nem o comprei – esse gênero literário é desprezível. Mas o título me chamara à atenção sobremaneira.
O assunto que parte dessa frase é de uma profundidade considerável. Vivemos hoje uma disseminação de conceitos de beleza, onde se determina o tamanho dos seios, os traços do rosto, o formato dos dentes. Creio que nunca na história, desde o renascentismo, se preponderou tanto aquilo que é considerado belo. O assunto realmente parece estar em voga. Até mesmo o Umberto Eco, o homem do Nome da Rosa, lançou outro dia a História da Feiúra.
A questão que soa em trombetas, estampa garrafalmente os jornais é: o que podemos considerar feio e belo? Temos todo um referencial herdado da cultura Greco-romana. Mas hoje há uma desvirtuação sobre os conceitos de beleza. As mulheres pretendem se encher de almofadas siliconadas para sentirem-se mais atraentes. Mal sabem elas que a sinceridade de um seio natural é de uma importância divina. Não acredito na mulher que se altera. Aquela que pinta o cabelo já se dilacera para a eternidade. Conheço mulheres que perdem trechos de vida preciosos para se pintarem, alterarem sua humanidade. Aquelas que põem silicone nos seios, então, abrem uma cicatriz dolorida na alma. Jamais serão humanas novamente. Bem aventuras as meninas que, desde cedo, se livram dessas obsessões ignóbeis e mantêm sua originalidade.
Acredito que a ditadura da beleza ainda fará muitas vitimas e provocará o extermínio das nossas essências fugazes. Os considerados e consagrados como belos pela sociedade, possuem muitas portas escancaradas, no entanto nada, em absoluto, existe graças ao que se é como pessoa, mas sim pelo que se aparenta ser. Acredito que os belos são os mais suscetíveis ao suicídio, pois o vazio que a nata de suas belezas pode provocar no seu ser, faz com que qualquer brisa mínima o empurre do alto dos prédios.
Eu me admito feio. E o faço sem qualquer melancolia, mas com resignação. Não creio que isso possa determinar o caráter de qualquer pessoa, mas é de uma concretude paulistana que o feio é condenado a arrombar portas, estripar rinocerontes todos os dias para chegar onde pretende. Isso torna o feio talvez não mais feliz, porém mais completo enquanto pessoa. Ao belo resta estampar sua paisagem pelas ruas, escritórios e capas de Caras para que o mundo se genuflexa.
Hoje eu queria falar sobre Nelson Rodrigues, mas confesso que me distraí com o assunto. Fica para a próxima.21 de novembro de 2007
AS RAZÕES DA TROPA
Um dos assuntos mais recorrentes nas minhas crônicas trata sobre a mercantilização das manifestações artísticas. E o questionamento que sempre vem à baila é: até quando a arte, enquanto produto comercializável, é salutar? Será o dinheiro realmente fundamental para a arte, ou ele apenas contribui para a ditadura das artes? Sim, pois o dinheiro que compra é o mesmo que determina o que será consumido pela população. Isso seria um tema interessante para algum ensaísta transgressor – No Brasil todo ensaísta é um criminoso, um marginal da pior espécie. Aqui o intelectual é caçado como um boi ladrão e tem seus colhões arrancados em praça pública.
Mas não é sobre exatamente isso que pretendo tratar. Apesar de o meu assunto de hoje estar intimamente ligado à cultura de massa nacional. Quero falar sobre o filme do ano. E vejam, meus caros, que não se trata de nenhuma superprodução estadunidense. Desta feita, falarei sobre Tropa de Elite. O filme nacional que vem arrastando multidões às salas de cinema de todo país. Uma massa sedenta por sangue e por justiça. O cinema nacional vive mesmo dias de glória fundamentais.
Fui assistir ao filme. Duas vezes, aliás. A primeira assistência foi levada pelo emocional e pela expectativa. Na segunda, fui para melhor enxergar o filme. Ora, uma obra de arte que se preze deve ser relida e revista até que se sinta o ar que a circunda. Lembrem-se: ler é a arte de reler. Pois bem, o que vi me agradou profundamente. A produção do filme é, de fato, impecável. A fotografia é intimista e te leva a viver as aventuras dos comandados do Capitão Nascimento.
Na segunda vez que fui ver, quis prestar a atenção nas reações da audiência diante daquelas cenas tão realistas e fortes. Percebi algo curioso e, ao mesmo tempo, preocupante: as pessoas se deleitavam quando ocorriam as torturas, as rajadas de tiros, o autoritarismo do Capitão Nascimento. Eis onde eu pretendo chegar. Como o brasileiro aprecia a violência. Tropa de Elite tem um efeito catártico, onde o público excreta toda sua ira contra o crime organizado, ainda que utilizando dos mesmos subterfúgios. É preocupante ver crianças nas ruas sonhando em ser o herói do BOPE para torturar e matar bandidos.
O roteiro de Tropa de Elite trata de forma maniqueísta a relação entre polícia e tráfico, sendo a polícia – ou o BOPE, mais precisamente – o grande herói, o supra-sumo da razão. Enquanto o traficante é o vilão pérfido a ser incinerado. No meio do caminho estavam os estudantes que “financiam” o tráfico. A solução: subir o morro e matar a quem visse. Fica a questão: será mesmo esta a saída para a problemática do tráfico?
Sei que parecerei repetitivo. Paciência. Não existe cronista sem obsessão. Mas combater o crime organizado com violência é a recaída perfeita para o provisório eterno. É necessário ser firme com os criminosos, quanto a isso não há questionamentos. Mas e o futuro, me digam, e o futuro? Fundamental seria dar educação aos pequenos projetos de traficantes que moram no morro. Tirá-los daquela vida e dar a eles uma esperança de viverem além dos seus 15 anos com dignidade.
17 de outubro de 2007
A FALTA DA SAUDADE
Dentre estas muitas reflexões que atingem um pretenso pensador como este cronista, houve a elaboração de um pensamento inspirador. Disse eu a um amigo: toda atitude consciente de um ser humano tem a sua lógica, sua razão de acontecer. Por mais que tal ato nos fira a consciência, nos ultrapasse o limite da compreensão. Inicialmente foi apenas uma inflexão, mas depois me peguei pesando, ponderando a respeito de tal vicissitude. O ditador, o político, o ladrão, a prostituta, todos possuem sua lógica para exercerem seu ofício com credulidade. Sem isso não há mundo, não há atitude humana.
Assim, infelizmente, é o brasileiro. Desde que nos damos por criaturas, desde priscas eras nos acostumamos com um modo de vida onde impera a astutez, o trabalho fácil, o autobenefício a qualquer preço. O brasileiro, desde a invasão dos portugueses, sempre se viu circundado por um mar de lama asqueroso e, nascido ali, tornou-se tão abjeto quanto o seu ambiente. O ambiente tem o poder insofismável de influenciar o sujeito, apesar de haver aqueles desgarrados que procuram serem ovelhas brancas no país da falcatrua.
Mas não é sobre isso que pretendo falar. Aliás, creio já ter causado abjeções nos amigos leitores com esses parágrafos supras. Se sim, paciência, paciência. Apenas peço que me leiam até o fim, pois quero falar sobre João Guimarães Rosa, o mineiro que revolucionou a língua portuguesa, o estilístico incompreendido até nos dias de hoje. Um artista do garbo e competência de João Guimarães Rosa não ganhou o Nobel de Literatura. Amigos, os gênios mais injustiçados do mundo foram Dirceu Lopes e Guimarães Rosa. O primeiro, craque de futebol da década de 60 que nunca foi a uma Copa do Mundo. O segundo, o gênio inexcedível que criou não apenas Diadorim e o burro pedrês, mas criou uma nova língua utilizando recursos infindáveis da própria língua portuguesa.
A literatura rosiana produziu a verdadeira novilingua – conjeturada por Orwell em 1984, o livro. Tamanha a genialidade de João Guimarães Rosa, que era capaz de averbar substantivos e fazê-los simples. Reproduzir a língua falada pelo sertanejo e torná-la nobre. No entanto, hoje existe um fenômeno que os especialistas estão chamando de renovação evolutiva da língua. O “internetês” é um dialeto sobejamente utilizado pelas comunidades virtuais, pelos moiséses subdesenvolvidos que insistem em parlar para um Michelangelo imaginário.
Vejam que as novas formas de comunicação, além de fazerem apologia a literatice, estão contribuindo para a formação da sociedade do novo século. Uma sociedade de solitários que contemplam o próprio isolamento como uma forma de defesa contra o caráter invasivo que o mundo virtual possui. Outro dia um amigo me veio com uma pesquisa que afirmava que o homem virtual é muito mais sociável do que aqueles que não possuem acesso à Internet. Há que se ponderar. Atualmente é muito mais simples encontrar pessoas, estabelecer networkings, trabalhar em casa. Sim, mas eu vos pergunto: e o olho no olho, e a cor do sorriso onde ficarão?
30 de agosto de 2007
QUEM TEM MEDO DA CHINA?
Amigos, há na vida poucas definições transcendentais. Uma destas formulei já faz um tempo. Certa vez, num grupo de amigos, decretei: a matemática é uma ciência burra. Alguns olhos arregalados me fitaram e se entreolharam. Tratei de me explicar. A matemática que os jovens estudam é burra, pelo simples fato de se prender ao imperialismo das fórmulas. Algumas delas são de uma inutilidade atroz. Sou incapaz de esquecer, certa vez, quando numa prova de matemática, para a qual eu não havia estudado, e decidi usar a lógica para resolver. No momento em que eu recebi a nota, para a minha surpresa, os resultados em que eu havia chegado estavam certos, mas o professor validou apenas metade das questões, pois eu não havia utilizado as fórmulas. Percebam a atitude ignara de um mestre.
Por essas, me enveredei pelo mundo das letras e ciências humanas. A pena disto é que me considero um analfabeto matemático. Aprendi somente o indispensável, para conseguir sair do colegial. Mas não é sobre isso que eu pretendo falar. Há um fenômeno que vem ocupando as áridas discussões televisivas, e também as famigeradas páginas das revistas de negócios. Isto por que existe uma linha de profetas do acontecido que teimam em predizer: A China dominará o mundo.
Ora, meus caros, não há ser vivente nesse mundo que me convença disso. Vocês podem objetar: “mas e a taxa, a taxa de crescimento dos chineses”. Repito, a China é, de fato, um fenômeno de marketing. Eles vêm crescendo sim, mas nas paginas de revistas ditas importantes, nos noticiários dos jornais, no jogo de palavras dos economistas. Não creio no domínio chinês, e argumento – eles não resistirão por muito tempo aos apelos humanitários que hão de flagelar o método chinês de trabalho. Lá a escravidão é algo banal, uma praxe para as fábricas e indústrias.
Já escutei alguns amigos declamarem que se trata de uma questão cultural. Os chineses já nascem para o trabalho e não se importam com as condições para o mesmo. Pois eu redarguo: à medida que a China vai avançar para o mundo, o mundo vai avançar para a China. O povo daquele país há de se ver seduzido pelos pecados capitais e, como humanos que são, vão adquirir a consciência que aquela vida não lhes satisfazem. O capitalismo há de corromper a China, assim como já corrompe um santo encerrado em seu caritó. Eis que quando isso ocorrer será o fim de mais um tigre asiático, pois a China é tão competitiva, tão agressiva, graças a sua mão-de-obra gratuita.
Tenho a míope impressão que Mao-Tsé-Tung se revira no profundo da sua sepultura quando esses profetas que insistem em colocar a China como uma potência econômica. Pequim há de ser palco da revolução que se aproxima daquele povo. As marias antonietas imaginárias serão decapitadas, as fábricas idealizadas para os subumanos trabalharem serão incineradas. O povo chinês vai protestar pelo direito de comer Big Mac e beber Coca cola. A sereia capitalista vai declamar seu canto fatal. E será o fim do mito.
Esse exercício de futurologia eu o faço sem base em números ou estatísticas. Até por que não serei de tamanha incoerência. A matemática, os indicadores, objetam contra minhas conjeturas. Mas, com toda sinceridade, não acredito na frieza siberiana de dados estatísticos. Acredito muito mais na natureza humana que há de ser reacionária o suficiente para derrubar mais esse paradigma que teima em se manter como incontestável.
22 de agosto de 2007
DEVO SER UM ZUMBI POETA
Há no mundo coisas absolutamente incompatíveis. Ou o homem deve e é bom pagador, ou ele é um artista. Não existe arte que resista ás questões financeiras. O dinheiro, na sua racionalidade atroz, é capaz de destruir qualquer criação da alma humana. Há, dessa forma, uma contramão, duas propriedades que vão de encontro. No mesmo instante, existe também a corrente que diz: o dinheiro é que sustenta a arte. Até pode ser uma realidade, mas há um engano escondido nessa ideologia. Geralmente, os grandes artistas são desprendidos do materialismo obsessivo que permeia o mundo dos negócios. No entanto, eles conseguem a realização financeira de uma forma natural, por que são grandes, têm estrela.
Fiz toda essa introdução argumentativa, porque gostaria de falar hoje do maior artista vivo do Brasil. Falo de Chico Buarque de Holanda. Um homem que conseguiu ser um fenômeno absoluto no nosso país. Não falo aqui sobre vendas de discos ou público
Dessa analogia é que surgem produtos absolutamente lamentáveis, como reality shows, novelas que nos dão a impressão de um deja vu a todo o momento, melodias e canções tétricas como funks, axés e outros bichos. A contra cultura de massa é a mais absoluta degradação da qualidade dos produtos culturais.
Essa putrefação cultural guarda perspectivas ainda mais cruéis. Exemplo disso é o próprio Chico Buarque de Holanda. Quando surgiu para o mundo artístico, o jovem Chico era conhecido como um promissor cantor/compositor da música popular brasileira. Gênero musical que era recebido com um esgar de soberba pela elite cultural do Brasil. De fato era música para o povo, para o operário e a dona-de-casa. Vejam que hoje a generalizada MPB está elitizada. Hoje o público que escuta as canções do Chico Buarque de Holanda é considerado cult. Tal como a história é cíclica, me leva ao seguinte raciocínio: daqui a 20 anos, o popular de hoje será produto de elite. Os funkeiros serão elevados a intelectuais, poetas. E o fato ainda mais terrível eu ainda não foi dito: fico imaginando o lixo que virá para ocupar o playlist dos jovens da próxima geração.
Mas eu falava de Chico Buarque de Holanda. Ele que apesar das pressões da cultura de massa, se impõe com sua qualidade, sua poesia. Eu conheci Chico Buarque de Holanda tardiamente. Me fora apresentado em sua plenitude pelo amigo cineasta e músico Tiaraju Aronovich. Antes eu já apreciava Chico, porém apenas aquelas canções que permeiam o imaginário popular e são obrigatórias. Fui tomar gosto sobre a obra de Chico Buarque de Holanda por completo bem depois, recentemente.
Chico Buarque de Holanda pode se dar ao luxo de lançar álbuns esporádicos, evitar a super exposição na mídia e ainda assim permanecer nas nossas memórias. Minhas reflexões sobre Chico Buarque de Holanda caminharam para o seu estilo de vida. Ele é um dos poucos da sua geração que ainda gozam do privilégio de viver de arte, fazer disso o seu ofício mais prestimoso. Confesso ser esse o meu sonho mais antigo e profundo. Apesar de muitos fatores externos contribuírem contra, eu ainda teimo em segui-lo com alguma sagacidade.
Num país onde a imensa maioria é de desinformados virtuais, onde as mensagens curtas ancoradas em imagens são as primeiras lidas – e também as primeiras esquecidas, devido a sua efemeridade – ser escritor é ser um contraventor, quase um alienígena. Às vezes me aventuro a convidar alguns amigos a visitarem esse meu espaço virtual, para que eles possam ler as minhas idéias e compartilha-las comigo, e, ora por vez, recebo as respostas “Depois vou ler com calma” ou pior “Tenho que ler tudo isso?”.
Vejam amigos, o que a cultura do imediatismo, das mensagens passageiras está fazendo com o cérebro do nosso povo. Quando esses amigos terão calma e paciência para me ler, sinceramente não sei. Creio que nunca. Mas assim como Chico Buarque de Holanda quero perseguir esse sonho com voracidade. Sei que posso ser perseguido, negligenciado como um boi ladrão. Todavia é necessário. Se terei reconhecimento, honestamente, não sei. Duvido, inclusive. Até por que, escritor famoso no Brasil, é escritor morto. Numa analogia, todo escritor deveria ser um morto-vivo, um zumbi poeta, recitando versos para um coruja aboletada no muro sombrio de um cemitério.
6 de agosto de 2007
ODE AO PALAVRÃO
Meus caros, hoje pretendo contar um segredo pra vocês. Nunca nenhuma crônica, que eu me advirto a escrever, começa por um título. Até por que, meus textos são para mim um grande mistério. Quando começo a escrever, não tenho idéia do que sairá. Tantas e tantas vezes já me vi diante de uma folha de papel em branco, e ele ali a me desafiar a preenchê-lo de idéias revestidas de palavras. Assim, o título vem como um complemento, com o qual pretendo resumir a essência do texto em uma frase apenas. Bom exercício para um publicitário que trabalha fora de sua atividade escolhida na academia.
Pois desta feita, o título me veio antes. Anterior até a si mesmo. Pois não quero ser desonesto com o leitor. O título é apenas a verbalização da idéia tropo. Nada surge sem a participação de nossas memórias alegóricas. Creio que muitas obras imortais surgiram desde a sucintes de um mero título – Guimarães Rosa, tenho a míope impressão, concebeu sua obra máxima através do título. O “Grande Sertão: Veredas” era tão somente um nome, a junção de palavras, e foi o start dessa obra absoluta e pictórica. Mas vejam, amigos, não pretendo aqui discutir o processo psicológico da criação. Até por que ela é múltipla, irisada, relativa.
Abro agora o terceiro parágrafo e finalmente chego onde eu pretendo. Não há atalho mais útil, indispensável para os nossos dias que o palavrão. Ele está presente no ressoar da concha acústica dos bares, avenidas, escritórios. O palavrão possui toda uma função fisiológica, onde expurgamos todo o amargor, a ira dos dias afins. As más palavras ainda nos servem como protesto, transgressão. A fuga dos protocolos que buscam engessar os nossos dias.
Sei que muitos hão de objetar. Paciência. Sobretudo as beatas plantonistas hão de rechaçar as minhas idéias. Mas como, um pretenso escritor, cronista, dramaturgo pode fazer apologia às palavras mal educadas? Pois eu vos digo: não é feliz quem, ora por vez, não profere um palavrão. E ainda acrescento: desconfie da polidez alheia. Quem não explode em um impropério verbal de vez em quando – nem que seja trancado num porão escuro – pode estar a um passo da erupção e sacar uma arma com tiros para todos os lado
Há nas artes um exemplo clássico de Nelson Rodrigues que escreveu histórias com um conteúdo fortíssimo, as quais eram extraídas das profundezas mais sujas e mal cheirosas da alma humana, e, em absoluto, não utilizou nunca um reles ou escasso palavrão. Mas vejam que ele estava ali, implícito, nas entrelinhas. É certo que as madames pomposas que assistiam às peças, saiam do teatro proferindo em pensamento: “é um desgraçado”.
Os palavrões são congênitos e hereditários. Estão dentro da nossa profunda consciência. Quem os nega, nega sua própria condição humana e adere à hipocrisia das rodas sociais. É exatamente isto que Nelson nos provocava – e ainda provoca: o palavrão interno, cardíaco de todos nós. Se querem bem saber, vou mudar o título. O palavrão é mesmo sorrateiro, reside
30 de julho de 2007
BRASILEIROS LÍQUIDOS E SÓLIDOS
Meus caros leitores, não há duvidas quanto a face multifacetada, variada do brasileiro. Somos um povo eminentemente múltiplo. Todavia, há uma característica capaz de promover a unidade nacional, a coerência parva: Somos o povo que mais exercita a arte de reclamar. Reclamamos dos sapatos aos cabelos. Somos insatisfeitos natos e hereditários. Essa rusga nacional justifica-se na maioria das vezes. Afinal, a deficiência nos serviços públicos, a falta de segurança, o atendimento precário ao consumidor, tudo nos torna uns chatos legítimos e irrefutáveis – vejam, amigos, que eu me incluo nesse panorama. Reclamo como um bom brasileiro.
Ora vejam, não é sobre isso que eu pretendo falar. Queria hoje discorrer sobre fenômenos que acontecem não apenas no nosso país, mas em praticamente todos os povos do mundo. A constante e inconsciente utilização do senso comum. Percebam que ele é quase inevitável. Somos reféns confessos do senso comum. E nele residem os preconceitos e as afirmações sonoramente equivocadas. Trata-se de um inimigo interno quase intransponível.
Creio já ter dito tudo no parágrafo acima. Sim, pois não pretendo aqui ser didático e tampouco auto-explicativo. O que posso fazer agora é ilustrar essa crônica com um exemplo. Uma vaia é uma demonstração de senso comum. Não há acústica mais plástica que uma vaia. Quando Lula foi vaiado na abertura dos jogos Pan-Americanos, o senso comum se encarnou através de uma demonstração em massa. E Lula foi um panaca de babar na gravata. Lembrem-se, a massa é burra, não tem cara, nem personalidade. No entanto, naquele momento, a massa mostrou o quanto é reativa.
Aquela foi a demonstração da insatisfação de um povo contra a pusilanimidade que se abateu sobre o nosso país. Somos hoje um povo sem líder, uma nação deixada ao léu das marés. Dizem que a economia vive um grande momento, nossa moeda está se valorizando em relação ao Dolar – vos pergunto: será mesmo um feito desse governo? Com toda sinceridade, não. Se hoje a nossa economia cresce, foi graças ao impulso dado por governos anteriores. O nosso pobre Lula seria incapaz de promover um crescimento sustentável, tal como ocorre desde a implantação do Plano Real.
Sei que muitos dos meus caros leitores não suportam ler sobre política e economia. Paciência. Eu como um líquido e sólido brasileiro também tenho o direito garantido pelo senso comum de ser um insatisfeito nato e hereditário.
20 de julho de 2007
16 de julho de 2007
DIAS PARA A ETERNIDADE
Não é bem sobre isso que eu pretendo dizer. Apesar de não ser afeito a falar sobre o cotidiano, quero dedicar algumas linhas ao último fim de semana. Ah, não viveu quem não se emocionou nestes dias – ou melhor, não é brasileiro quem não sentiu lá no fundo um orgulho apraz de ter nascido no Brasil. Primeiramente, houve a festa de abertura do Pan Americano do Rio de Janeiro. Evento maravilhoso, sem precedentes no país.
Antológica também foi a vaia ao nosso estimado presidente. Ora, não há demonstração mais legítima de desprestígio a um homem público que a vaia. Cuspam-lhe a cara, mas não o vaiem. Xinga-o de canalha, mas não ensaiem em multidão o apupo maledicente. Eis que Lula foi ruidosamente vaiado por alguns minutos. O suficiente para que se tome a real noção sobre o descontentamento de um povo. O presidente, enrubescido, se negou a falar. Fato que apenas piorou sua já execrada imagem. Menos mal. Poupou-nos de suas palavras desagradáveis, suas metáforas de botequim.
Por si só – Somente por essa vaia – o Pan já é um sucesso absoluto. Pode acabar a água dos vestiários, faltar luz, a segurança falhar. Não importa: o Pan já valeu à pena. Mas nem só de apupos se fez o fim de semana. A vitória da Seleção Brasileira foi, novamente, o motivo maior do resgate da autoconfiança nacional – falo aqui de duas Seleções: a de Vôlei e, claro, de Futebol.
A Seleção de Vôlei foi campeã mundial novamente. Numa doce rotina de vitórias incontestáveis. Mas a de Futebol, ah essa merece o nosso destempero verbal, nossa elogiosa menção. Amigos, o futebol é o único esporte onde o placar é burro. Nem sempre o vencedor no placar é o vencedor legítimo e irrefutável. Pois eu vos digo: o time do técnico Dunga não é o campeão real. Fez uma Copa América lamentável, com atuações pífias contra adversários fraquíssimos. Por isso foi chegando até a final. Do outro lado, a Argentina jogava o verdadeiro futebol brasileiro, com habilidade e toque refinado.
Mas eis que o Sobrenatural de Almeida – reporto-me a Nelson Rodrigues – resolveu trajar-se com a camisa canarinho, penta campeã do mundo. Sim, ele jogou e jogou muito bem. Empurrou o chute do Julio Baptista para o ângulo do Albondanzieri. Soprou nos ouvidos do Ayala que ele precisava interceptar aquela bola que morreu no segundo gol do escrete. E ainda, fez Elano se machucar para a entrada do desconhecido Daniel Alves, autor do terceiro e definitivo gol brasileiro. Sem contar, que o Sobrenatural resolveu dopar Riquelme e Messi – os argentinos mais fundamentais – para que eles parecessem que haviam comido uma feijoada baiana antes da partida. Venceu a Seleção novamente. Com méritos, é bom que se registre. Teve gana, sangue nos olhos.
Os Argentinos com seu time principal viram ir por terra os planos de vencer a Copa depois de 14 anos e, novamente, para o Brasil. E o pior, um Brasil com um time underground, bizarro, com quatro volantes no meio-campo, com o terrível Vagner Love e um goleiro nada confiável. Sem qualquer ufanismo, esse fim de semana foi mesmo surpreendente. Outro desses, só no próximo eclipse do sol.
9 de julho de 2007
SENHORES, A HONESTIDADE É DEMODÊ
Eis que chego a um ponto mais interessante da minha crônica, mas não decisivo. Outro dia um amigo me relatou que estava a bordo de um trem lotado – praxe dessa megalópole paulistana. E uma senhora (ou seria senhorita) conversava com outrem no mais alto dos tons. Sua voz estava à fronte como uma soprano interpretando Ave Maria de Schubert. Era uma pobre funcionária pública que trabalhava no Serviço de Proteção ao Crédito. Os funcionários públicos possuem a burocracia como seu ofício preferido. Eles se protegem dentro daquele sistema de castas e tentam sempre se furtar a qualquer responsabilidade. O grande mal não é a burocracia, mas quem dela faz uso.
A senhorita – podemos assim convencionar educadamente –, segundo meu amigo, maldizia sobre os pobres endividados com os quais ela tinha de lidar todos os dias. Seu ódio parecia escorrer de sua língua, tal qual uma cobra de Cleópatra, e sua voz se confundia com o rugido os trilhos do trem. Eis que ela bradou: “Quem deve não tem vergonha na cara”. Ela foi olhada e entreolhada por todos os passageiros daquele vagão. Ora ela falava mal do Corinthians no meio da Fiel – ou pior, em pleno Pacaembu em dia de clássico contra o São Paulo, quando os ânimos ficam hiperbolizados.
O companheiro da senhorita ainda tentou contemporizar “cada caso é um caso”. Mas a indiscreta madame não se conteve e ainda reforçou sua intempérie verbal “são um bando de sem vergonhas”. Não houve, contudo, reação alguma por parte dos passageiros que escutavam aquela opereta mal interpretada – e sabem o por quê? Aquela senhorita desfechou uma bofetada na cara de todos que estavam ali. E os pobres, como assim são, foram pudicos demais para admitir suas condições de devedores. É condição natural dos pobres a vergonha, pois a fome é o mais casto dos sentimentos. Na fome não há pecados, tampouco crimes. Nenhuma daquelas pessoas que ali estavam teria a coragem de se levantar do seu assento e revidar o tabefe nas fuças daquela desbocada senhorita.
Eis onde eu pretendo chegar: o brasileiro é um endividado nato e hereditário. Desde que nascemos, já temos nas barras de nossas fraudas boletos para quitarmos. E se não o fizermos, já não se trata mais de uma questão de honra, como outrora. Hoje em dia a inadimplência é moda. Entre a nossa classe média falida e sufocada pela carga tributária sem fim, tornou-se lugar comum ser um feliz destinatário de cartas e mais correspondências nos avisando sobre nossas dividas.
No Brasil, o verdadeiro bobo é aquele Sr. Honestidade, que paga a todos, que procura sempre negociar. O mais curioso é que se se procura negociar uma dívida antes que ela vença, para não sujarmos o nosso patrimônio transcendental que é o nosso nome, somos tratados com descaso. Eles riem de nossa cara. Isto por que existe hoje a indústria da inadimplência, onde o grande negócio é você não pagar e depois negociar os juros astronômicos, retumbantes.
Pobres de nós da classe média. Pobres de nós.
14 de junho de 2007
RACISMO 3D
Outro dia estava assistindo o programa do Sérgio Groissmann na madrugada de um sábado insone. Em um dos blocos, abriu-se a discussão sobre uma das grandes polêmicas da atualidade. Novamente temas pretensiosos que são debatidos com uma aridez saariana e a profundidade de um pires. Todavia, gerou polêmica e um mal estar flagrante. Eis que estava presente nos estúdios da Globo um grupo de alunos de uma faculdade do Rio onde só estudam negros. E Groissmann, como um bom mediador, trouxe a baila o assunto sobre a lei que garante aos negros uma cota extra de vagas nas universidades do Brasil. Uma amostra recente da nossa cultura do provisório eterno.
Eis que o debate se formou. Por um lado, alguns artistas, convidados do programa, se colocaram contra a tal lei. Houve argumentos inerentes ao senso comum ao qual eles pertencem – Artistas globais possuem sempre o sabor de uma Coca cola: muito previsíveis – Passaram, então, a palavra para um dos alunos da Universidade. Este sim resolveu quebrar a monotonia dos embates pseudofilosóficos daquele programa. Não transcreverei com uma fidelidade absoluta as palavras do jovem, mas lhes passarei, basicamente, seu raciocínio: “O que o governo vem tentando fazer é corrigir um erro de mais de cem anos, pois com o fim da escravidão, o negro ficou desamparado.” – o ousado rapaz foi ainda mais longe – “Se existe o direito da licença maternidade para as gestantes e o assento separado para os idosos no transporte público, por que não haver vagas exclusivas para negros nas universidades?”.
A verdade está dita e nos esbofeteia a cara. Eu me embasbaquei com a analogia feita pelo jovem. Vejam que ele próprio colocou a sua condição de negro comparada a uma demanda física. Como se a cor de sua pele fosse uma deficiência física, uma condição especial como uma grávida e um idoso. Percebam a que ponto chegou a discriminação racial no Brasil.
O racismo no Brasil existe com toda a força que jamais se pode imaginar. Aqui ainda há um agravante fatal: a hipocrisia. O racismo americano é melhor que o nosso. Assim como em muitos aspectos eles são melhores, o racismo deles é genuíno, aberto, peremptório. Aqui há um sentimento de piedade para com os negros calcada pelo álibi que foi a Lei Áurea que transformou os escravos em relegados das favelas, testemunhas oculares da miséria.
Eis que o astuto, espetacular governo Lula vem buscando a institucionalização do racismo. Ao que indica, quer escrever nas linhas da Constituição o quanto o Brasil é um país racista. As cotas em faculdades e (pasmem) nas empresas para os negros são mais uma tentativa aflita de se remendar a ferida aberta há séculos atrás. O provisório eterno surge novamente com todo o seu aguçado poder de persuadir a todos com um discurso metafórico e lulista.
No mesmo programa foi dito que aquela medida não resolveria, mais amainaria a iniqüidade. Engano ululante. As vagas dedicadas aos negros vão dar ao racismo uma terceira dimensão. Assim, talvez, o nosso racismo saia do armário e se apresente com toda a sinceridade maldita que procuramos maquiar. Se for esse o objetivo da tal lei, tenham a certeza límpida que as universidades se empilharão de protestos silenciosos ou veementes contra os nossos estimados negros. Queimarão marias antonietas imaginárias, promoverão a anti-Lei Áurea, um novo Apartheid.
Posso estar sendo repetitivo – ou pior: onírico. Mas a solução real, consistente para a segregação é uma revolução, uma mudança profunda no ensino público, uma retomada de valores por muitos olvidados: da educação primordial para uma sociedade minimamente digna e merecida de um adjetivo também deturpado: a decência.
21 de maio de 2007
LESMA NA NAVALHA.
Sem mais divagar, hoje eu gostaria de falar no artista brasileiro. Esse ser tão espetacularmente criativo e que sofre com o descaso da nossa cultura capitalista. Muito distante da luz da ribalta, existe uma gama de artistas escondidos pela sombra implacável da mídia de massa, da falta de recursos financeiros. Eis uma realidade, se houvesse no Brasil uma cultura de incentivo à arte popular, seriamos tão eruditos quanto os alemães, os franceses.
A realidade, como meu caro leitor bem sabe, não é essa. Hoje para um artista sobreviver com sua arte, precisa negar-se a si próprio, ser aquilo que a mídia demanda. O artista bem sucedido no Brasil é o anti-artista, que consegue sobreviver subsidiado pelos grandes empresários. A cultura televisiva no Brasil apenas contribuiu para a formação de uma elite de intelectualóides, que costumam promover debates mais áridos que três desertos sobre temas que interessam a grande massa, mas o fazem embalsamados por uma inépcia flagrante.
Os verdadeiros intelectuais do Brasil são tidos como transgressores e caçados como boi ladrão. Precisam se travestir no bom senso politicamente correto para conseguirem um lugar no coração do público de presépio. Sim, o público é de presépio, pois apenas reage ao que vê. O intelectual de hoje é tratado com um alienígena com anteninhas de vinil. Todo aquele que demonstra em público alguma erudição é logo taxado de homossexual ou um Napoleão de manicômio.
O artista que pretende ser fiel aos seus preceitos é enxovalhado por abalarem os alicerces das beatas de plantão. Hoje é preciso manter o sorriso amarelo para os figurões que vivem por trás dos grandes meios de comunicação para que se tenha a honra de mostrar sua arte. Em uma canção do Gabriel, o pensador, há uma frase peculiar: “O poeta é a pimenta do planeta”. Pois eu diria que o poeta de hoje não passa de um molho catchup, com sua doçura ácida e insossa de coroinhas das missas matinais de domingo.
O que eu pretendo dizer é que a poluição cultural vai disseminar o nosso povo. Causará mortes mais que o aquecimento global. Não será, todavia, uma morte física, mas sim a morte da alma humana. Tudo o que se verá como arte, será uma cópia carbono do que já foi feito e está mais do que arraigado na programação dos nossos sabores preferidos. Aquele que ousar destoar será espezinhado como barata de cozinha.
Outro dia, foi notícia que o presidente Lula estava presente no show do Chico Buarque em Brasília. Numa demonstração que os brutos analfabetos funcionais também apreciam a arte mais genuína brasileira. Ora, é notória a predileção do Chico pela “causa petista”. Vejam a aproximação de opostos que ocorrem hoje. O artista, intelectual Chico Buarque, que foi uma cabeça pensante da juventude dos anos 60 contra o militarismo, se vê compactuando, indiretamente, com a pornografia asquerosa que ocorre no Congresso. É exatamente o que resulta quando a arte e a política se unem. Um artista deve ser, acima de tudo, um isento, um sorriso, uma lesma que anda sobre o fio implacável de uma navalha e não escorrega, tampouco se divide ao meio. Isto para ser o artista da mídia. Mas o Chico há de poder ser o que bem quiser.
11 de maio de 2007
O CRIME DA CARIDADE
Quisera eu poder tocar tudo o que vejo. Pois os amigos cegos possuem nas mãos a comunicação com os olhos do coração. Nós, ditos normais, temos a grande dificuldade de observar a tudo com os olhos físicos. Esse fator dificulta fatalmente a compreensão do mundo. Penso que para melhor compreender as pessoas, o universo é preciso, sobretudo ouvir e tocar. Aquele que consegue perceber o hiato na linguagem braile é um privilegiado, um leitor critico e fugaz do mundo.
Fiz essa introdução meramente alegórica para chegar ao meu assunto obrigatório dessa crônica. Obrigatório porque estamos sendo bombardeados de informações acerca de um evento singular. A visita do sumo pontífice da Igreja católica em São Paulo. Fato esse que contribuiu para aumentar o caos de uma cidade despreparada para os grandes acontecimentos. Costumo falar a alguns amigos que São Paulo é a terra da garoa, onde um mero chuvisco nos apresenta o que é o destino inacessível.
Eis que me aproximo ao meu objetivo. Vejam que eu me preparo e também a você, meu caro leitor, para o que pretendo dizer. A igreja católica está caquética, com preceitos e conceitos retrógrados, que estão em rota de iminente colisão com as demandas da sociedade. Não cabe mais discutir a importância do uso do preservativo, tampouco dissertar sobre a castidade pré-matrimonial. Creio que seja um momento da igreja se ater com mais intensidade sobre assuntos mais urgentes e ululantes da atualidade, como o trabalho escravo, a destruição do planeta e da raça humana, a prostituição infantil.
Alguns hão de me objetar, dizendo que há sim uma discussão sobre tais temas. Mas a igreja o faz sem qualquer profundidade, com uma distância aristocrática e soberba. Aliás, essa é uma característica da maioria das religiões: há exacerbo na filosofia e uma escassez de ação. A força que possui o catolicismo, com seus muitos tentáculos dentro da sociedade, não permite a omissão, ou mesmo, que se seja apenas retórico a respeito das mais prementes questões humanas. Os sacerdotes haveriam de prestar serviços sociais, uma vez que são sustentados por ela. Deveriam partir para o meio da floresta para auxiliar no plantio de novas mudas para a Mata Atlântica, ou mesmo participar de movimentos sociais para extinguir o trabalho escravo.
Se há esse tipo de ação por parte dos sacerdotes, estes são como uma ilha cercada de pusilanimidade por todos os lados. Este assunto me faz lembrar de um dos personagens notívagos que eu criei. (notívagos, porque foram concebidos nas madrugadas insones). Eis que se trata de um padre que foi evangelizar em uma cidade pequena no nordeste brasileiro. Lá onde a miséria é um conceito tangível, irmã de todos. Este sacerdote realizava também trabalhos de assistência social, mas a falta de recursos era gravíssima. Numa atitude insana, o padre resolve leiloar todo o ouro que estava crivado nas paredes da igreja barroca, onde ele realizava o culto. Isto num intento de ajudar aquele povo que rezava com a barriga vazia diante do altar dourado em 18K. A conseqüência desse ato comunista só poderia ter sido um: o padre foi preso, excomungado e ficou na cadeia ao lado de assassinos e ladrões que, assim como os seus fiéis, foram vítimas da iniqüidade social. Mas esse padre procurou reagir, moveu-se, só esse fato já o permite a lívida eternidade.
2 de abril de 2007
A ADORADA VILÃ
18 de março de 2007
NOSSA MALDITA SINCERIDADE
Amigos, me impressiona as efemeridades desses novos tempos. A cada dia percebo o quanto as mudanças são instantâneas e indolores. Quando escuto falar sobre as relações humanas do passado, noto que havia uma tangibilidade nos sentimentos. Os namorados casavam-se, os casamentos faziam bodas de prata, de ouro. Hoje é tão comum os relacionamentos se dissiparem como castelos de areia na alta das marés. Os namoros até duram, mas não resistem à força do tempo, às tentações mundanas.
Entre os adolescentes e jovens a prática do “ficar” se institucionalizou de forma quase definitiva. Nada melhor que o anti-compromisso com beijos e mãos de polvo. E quando há alguma festa de grandes proporções, o que ocorre não é nem o “ficar”, mas sim o “beijo-tchau”. Não se sabe o nome, não se sabe sequer a cor dos olhos, e as bocas se encontram ofegantes e ávidas por dali saírem em busca de novas bocas, novas línguas. Não há tempo para nomes, telefone, apenas quer-se o contato físico relâmpago.
Confesso que sou dessa geração e apreciava essas práticas durante a minha adolescência. Mas confesso também que o fato de depois beijar uma desconhecida, a qual, mesmo depois de beijada, permanece desconhecida, me fez bater uma solidão cava, semelhante a de um estádio de futebol em plena manhã de segunda-feira. Esses desejos carnais urgentes e efêmeros nos transformam em pessoas sem qualquer identificação conosco mesmas.
Hoje os amantes são meros desconhecidos, inimigos íntimos. Se antigamente os compromissos se estendiam por anos e evoluíam até atingir a eternidade, seria por que éramos mais responsáveis? Leda ilusão. Naquela época, havia uma hipocrisia arraigada e reafirmada. Qualquer outro fator é capaz de sustentar um casamento por mais de dez anos, menos o amor. Não creio, com efeito, na legitimidade de um amor matrimonial eterno e inviolável. O ser humano é individualista demais para se suportar por tanto tempo assim. Somos seres criados para vivermos sozinhos. A vida social é uma mera forma de sobrevivência.
A família é outra instituição que tem sido solapada pelas novas relações sociais. Alguns saudosistas hão de afirmar que outrora as famílias eram mais sólidas, a exemplo dos casamentos. Todavia, volto a afirmar: naqueles tempos o silêncio dos sentimentos era uma convenção fortíssima. Hoje a sinceridade resolveu criar seu espaço na sociedade, e a sinceridade é o grande defeito dos virtuosos. Sobretudo as mulheres tornaram-se mais ativas, independentes, atacaram com toda sua força o paternalismo. Em suma, o fim da família é resultado do desgaste do paternalismo.
Há que se escolher perpetuarmos a nossa tradição respeitosa, silenciosa, introspectiva. Ou continuarmos com a sinceridade maldita e obtusa que destrói a hipocrisia e ataca, assim, as todas poderosas instituições da família e do casamento. Seria a batalha final da voz versus o silêncio. É a famosa e inevitável globalização...
28 de fevereiro de 2007
ANDRÓIDES SILICONADOS
Fiz essa introdução para chegar onde pretendo. É também durante o carnaval que o físico, o carnal está preponderantemente em evidência. Nesse momento não existe o que somos, mas sim o que aparentamos ser. Há no meio da folia uma supervalorização pelas formas e um esquecimento cavo dos olhos e da alma. A nudez carnavalesca é tão clássica, quanto às esculturas renascentistas ou os profetas de Aleijadinho.
Não sejamos tão hipócritas a ponto de afirmarmos que a estética é fútil e superficial. Sem dúvidas que é efêmera, mas não indispensável. Todos temos referências de beleza e através delas guiamos nossos instintos sexuais. Esse dado está arraigado no ser humano e não há qualquer possibilidade de alguma mutação. O grande fato, o mais cruel de todos, é que há uma rotulação exacerbada através da beleza. O preconceito nesse aspecto, reina com soberania, e onde há preconceito, há sempre o equivoco.
Certa feita, publiquei um conto em um fanzine que falava sobre uma menina de uma fealdade absurda. Clarabela se chamava a pobre. No conto, que na verdade era uma crônica, eu costurei uma metáfora sobre as flores. Estes seres que concentram tanta beleza e odor eram as antagonistas da pobre Clarabela. Vejam, meus caros, que Clarabela se apaixona por Thomas, um homem que conhece pela Internet. Ela tem essa paixão correspondida e, num momento clímax do primeiro encontro, descobre que aquele homem é cego. Sua vergonha pela feiúra tornou-se tão menor, tão insignificante perante a deficiência visual de Thomas. Ela descobre que as flores não são suas inimigas, mas sim ela própria. Naquele texto, eu não citei uma reles, uma escassa sequer característica física de Clarabela. Não a fiz magra, gorda, alta ou baixa. Deixei que o leitor fizesse a própria feiúra dentro de si e pudesse, quem sabe, refletir sobre o motivo de padronizar seu conceito estético.
Nesses tempos de silicones, nada melhor que seios sinceros e bocas de carne humana. O ser humano, sobretudo as mulheres, vem se mutilando, tornando-se andróides siliconados, sempre no intento óbvio de instigar a libido alheio. Essa geração Mc Donald’s que não aprecia carnes diferenciadas, preferem dormir ao sabor do papelão de um Big Mac.
Somos todos vítimas e algozes, neste caso. A indústria da estética perpassa sobretudo na nossa educação primórdia, nos conviveres sociais. A atitude a se tomar é individual. O Carnaval deve e sempre continuará a ser a festa honesta, epilética. É parte integrante e fundamental da nossa cultura. Não veremos alguém buscando conhecer a alma alheia no meio da folia. Mas vale o reforço de atenção, para que procuremos deixar de ver com os olhos físicos e, assim como Thomas, se apaixonar por Clarabela, a antagonista das flores.